Ao mudar-se para Mato Grosso em 2005, o Ailton Terezo parou numa lavoura de soja. Olhou para aquele horizonte verde, tirou uma foto e disse para si mesmo que precisaria direcionar para o agro os olhares e o conhecimento em química. Começou pela área de biocombustíveis e, há 8 anos, está focado no desenvolvimento de novas ferramentas para a agricultura com a nanotecnologia.
“É uma revolução que levará a um mundo completamente novo!” É assim que ele resume a expectativa com o avanço das pesquisas envolvendo nanotecnologias para o agro. Doutor e professor do departamento de química da Universidade Federal de Mato Grosso, explica que, em escala nanométrica, a matéria tem comportamento diferente do já conhecido pela ciência, o que abre um universo de possibilidades a serem descobertas.
O efeito promissor do uso de nanopartículas de carbono na agricultura é uma delas. Estudos apontam ganho de produtividade de 25% na soja, 40% no crescimento de alfaces e garantia de crescimento do milho mesmo em condições adversas. Exemplos de inovações que podem transformar a maneira de produzir alimentos.
De forma didática e entusiasmada, o coordenador da Rede Nano Agro MT fala sobre as pesquisas conduzidas a partir de resíduos, usando dejetos suínos e esgoto doméstico como fontes de carbono. A expectativa é confirmar a campo o potencial de novos produtos como aceleradores de fotossíntese e formulações mais eficientes de fertilizantes e defensivos químicos, que tendem a reduzir as doses utilizadas, garantindo uma produção mais econômica e sustentável.